Europeus tentam evitar destruição de vinhas

Data: 19.09.2006


Bruxelas - As discussões dos representantes dos 25 países da União Européia (UE) sobre a reforma do setor do vinho proposta pela Comissão avançaram muito pouco nesta segunda-feira, pois vários membros se opõem a uma reforma que inclui, como principal medida, a destruição em massa de vinhas.

A maioria dos ministros da Agricultura dos 25 - que discutiam pela segunda vez hoje as propostas apresentadas em junho pela Comissão para eliminar o excedente de produção européia de vinho e tornar o setor mais competitivo - destacaram, porém, que são favoráveis a uma reforma de fundo.

Segundo fontes européias, 12 Estados, entre eles os principais produtores, que são a França, a Espanha e a Itália, reafirmaram que a destruição em massa das vinhas deveria ser apenas uma "ferramenta".

A comissária propôs em junho dinamizar o setor, que tem cada vez mais dificuldades para enfrentar a concorrência imposta pelo "Novo mundo" (Austrália, África do Sul, Califórnia, Chile, Argentina), com a destruição de 400.000 hectares de cultivos, ou seja, 12% da área atual.

Ela propõe compensar esta destruição com ajudas européias que podem chegar a 2,4 bilhões de euros.

A França e os outros grandes produtores rejeitam, sobretudo, eliminar totalmente as "ferramentas de gestão do mercado" que são a "destilação de crise", que permite destilar uma parte do excedente de produção europeu, ou ainda os "direitos de plantação", que limitam as possibilidades de surgirem novos cultivos. Se a UE continua sendo de longe o maior produtor e exportador mundial de vinho, com 60% da produção em volume, sua posição dominante é cada vez mais contestada pelos países do "Novo Mundo".

A União Européia exporta ainda mais do que importa: 13,2 milhões de hectolitros, contra 11,8 em 2005. Mas as importações aumentaram a um ritmo de 10% por ano em dez anos, e o excedente de produção estrutural da UE chega a 15 milhões de hectolitros por ano, ou seja, 8,4% da produção.